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Quem sou eu?

Ora aí está uma boa pergunta.

Talvez no não o saber muito bem esteja a razão da minha tristeza e solidão quem sabe? A única coisa que sei é que é sozinha que sempre estive e estou e sinto que aí que reside o meu maior problema.

Após a pergunta colocada num comentário aqui no blog fui dar uma espreitadela ao poiso do comentador (Edison), ao seu “mundo torto e cheio de pensamentos”. Lá, qual dolorosa coincidência, um poema de Carlos Drummond de Andrade cuja parte que mais me tocou foi:

“Não tem namorada quem não gosta de dormir agarrado, fazer sesta abraçado, fazer compra juntos, quem não gosta de falar do próprio amor, nem ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dela, abobados de alegria pela lucidez do amor”

O que eu gostava de algúem com quem compartilhar estes momentos. Sou sozinha, não tenho namorado e adoraria ter alguém para fazer qualquer uma destas coisas.

24 anos é muito tempo. Não é a transa, como dizem os brasileiros que considero mais importante, é o carinho, o sentimento de pertença, a vontade de estar junto.

Triste, sozinha, sim estou. E pelo que parece assim vou continuar durante algum tempo. Não vejo as coisas proximo de mudar. O que posso fazer?

Caminhar na rua

holding hands

Caminhar na rua de mãos dadas só mesmo em criança, já lá vai um tempo. Mas a partir daí nunca tive esse prazer.

Pode até ser paranóia minha, mas o simples facto de andar sozinha na rua me faz sentir mal, por vezes. Tem alturas que sinto como se me olhassem a passar e percebessem que sou sozinha.  Como se um simples olhar pudesse mostrar tudo o que sinto cá dentro.

Vejo passar casais de namorados por vezes até um casal de idosos de mãos dadas e um aperto surge no peito, uma tristeza por nunca ter experimentado nada assim. Inveja? Muita! Sei que não é um sentimento saudável mas quando vejo aquilo que o outros têm e que eu nunca experimentei é exactamente isso. Inveja e muita, muita trsteza.

 

Só.

Isto acho que vem por ondas.

Umas fases melhores, outras piores. Neste momento não estou numa muito favorável. Estes dias tenho-me sentido muito em baixo. Quando olho em volta não vejo só a falta de um namorado, amante, parceiro, o que lhe quiserem chamar… Vejo-me só, completa e desesperadamente só.

Com o final da universidade parece que se foram também quase todos os os amigos que tinha. Há quem diga que se se foram é porque não eram verdadeiros amigos… O problema está em saber se eu tive, alguma vez um verdadeiro amigo. Para isso acho que é necessário encontrar alguém que te conheça melhor do que te conheces a ti mesmo, que saiba dos teus medos, desejos, segredos. Não! Acho que nunca me dei a conhecer assim…

Como já disse antes, as pessoas parecem achar que tenho muito jeito para ouvir. Sim, acho que tenho. Deve ser uma coisa que fui aperfeiçoando com o tempo. Assim, ao mostrar-me uma boa ouvinte raramente chega a altura em que tenho que falar de mim.

É um mecanismo de defesa. Acho que nenhum dos meus amigos me conhece totalmente. Se sabem que nunca tive ninguém é porque me conhecem desde cedo e sempre me viram sozinha. Certamente não fui eu que lhes disse. Nunca vou muito além das trivialidades, nãó vá a conversa descambar para o primeiro beijo e eu ficar sem saber o que dizer…

Talvez seja por isso que, quando já contaram tudo, desabafaram todos os seus problemas e alegrias e encontraram um companheiro que não só ouve mas também tem todo o interesse em contribuir na conversa e mostrar aquilo que sentem se afastam e vão viver a sua vida no meio das pessoas socialmente normais.

E, como o mesmo não acontece comigo, aqui fico, mais uma vez, triste… deprimida… só…